Três atrizes interpretam a mesma personagem: Anita. Três mulheres são um só canal para um intenso fluxo de pensamento que é expelido em cena. Um dia Anita tem como base para sua encenação a farta utilização de recursos de voz, som e vídeo. Palavra e imagem são ação, servem de impulso para as atrizes e para a poesia da cena.
A direção trabalha intensamente os tempos rítmicos do espetáculo e as atrizes, através de preparo técnico e realizando diversificadas dinâmicas vocais, constroem as cenas. O espaço é uma plataforma quase vazia (composta apenas por três cadeiras e projeções) aberta à movimentação das intérpretes que criam um novo lugar a cada instante, de acordo com a lógica fragmentada do pensamento da personagem – direcionando a estética de Um dia Anita para um lugar distante de uma idéia realista de teatro. Além disso, são projetadas na caixa preta do espaço, imagens em movimento criadas pelo artista plástico João Penoni, especialmente para o espetáculo, que levam poesia e estética ao trabalho.
Um dia Anita é um espetáculo dinâmico e divertido que expõe o pensamento fragmentado de uma personagem no limite de suas emoções num dia aparentemente ordinário. Através de sua mente, ecoado através do corpo e da voz de três atrizes Um dia Anita mostra ao público a falta de ordem, a inconstância e a força com que nós percebemos e nos relacionamos com o mundo.
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